voltei pra casa encucada. sexta-feira, 19h30 da noite, um dos meus diretores olhou torto pra minha estratégia e me perguntou: onde estão suas ideias mirabolantes?
vai ver estavam na praia, tomando água de coco, ou já tinham ido pro happy hour há muito (às vezes essas aí se valorizam mais do que eu e aproveitam a vida que é uma beleza).
e fui embora, não era nada grave com prazo apertado, fim de semana é pra descansar, sair, dormir, pensar na vida, nos amigos e esquecer tudo, até a internet, ignorar completamente toda e qualquer coisa que seja ligada à vida profissional.
E quem consegue?
Cérebro criativo se boicota. Você pode querer não pensar em alguma coisa. Ele, só de teimoso, fica trazendo ela à tona, e mostrando a situação, como um molde 3D, lá dentro. E você começa a ter ideias, a pensar. Aí você pode assobiar, ligar prum amigo, correr na praia e até falar bem alto pra não dar ouvido às ideias. Chega uma hora que você não aguenta mais e se entrega: pega o caderninho.
A verdade é a seguinte, meu querido: ideia adora fazer hora extra. Quem trabalha com criação não tem férias.

E ideia de final de semana devia deixar o job muito mais caro.
É uma campanha, podia ser um projeto sem marca.
É um Banco de Imaginação, com quadrados cujo tema é Imagine que.
Acho que estou meio desescritora hoje, então não vou descrever. Clique e veja com seus próprios olhos.
Arquivado em: O livro, Revolução, bloquinhos salvadores, inércia maldita, o outro livro
Li o livro The Writer’s Block (ainda vou falar dele aqui), e foi ótimo.
Ótimo porque além de dar várias dicas para escritores incompetentes como eu (era até pouco tempo), ele me abriu os olhos para o seguinte: em todas as páginas do livro, está implícito que pra você ser um escritor, tem que escrever todos os dias, como uma rotina.
Ou seja, dentre as 786 dicas do livro, não existe a dica: Tente escrever todos os dias. Não. Pro autor, é óbvio que você escreve todos os dias, e se não escreve é porque teve um bloqueio. E precisa se livrar disso.
Deste livro em diante, estou indo dormir mais tarde, mas com a sensação de dever cumprido. Não fico mais 4 meses sem tocar no meu livro lamentando minha falta de tempocriatividadepaciênciaorganização.
Agora escrevo todo santo dia meia página do meu livro (ou melhor, dos 3 que estou escrevendo). Às vezes me irrita porque parece que estou escrevendo forçada e que a qualidade do texto cai um pouco, mas só a sensação dos livros estarem vivos e crescendo, e a sensação real de que eles vão ter um fim afinal, me deixam feliz.
É isso.

Arquivado em: a Internet, bloquinhos salvadores, tempo! | Tags: carta future me letter futuro passado
um segredo é ter um del.icio.us em mãos e ir adicionando as coisas que te chamam a atenção. Tagueio minhas coisas de um jeito que só eu entendo, porque cada link serve de inspiração pra uma coisa. Esse link aqui, por exemplo, veio dessa lista de emergência que fiz!
FutureMe é um site com uma idéia muito divertida: você escreve uma mensagem pra seu “você do futuro”. Daí é só agendar pra que data você quer, e na data escolhida você receberá a mensagem do seu eu passado. Achei fantástico. Sempre gostei desse negócio de “eu passado”, “eu presente” e “eu futuro”… somos pessoas diferentes, nós 3.
Ah, e no site você pode ler e-mails enviados por outras pessoas também, se quiser. Divirta-se.
Já mandei um memo pra Francine de 2009. E, pra variar, o Calvin tem algo a dizer sobre isso:
Arquivado em: bloquinhos salvadores
sabe quando você tem uma lista enorme de idéias (em papel, assim, de verdade), só que não consegue passá-las pro papel?
sei que é uma questão de sentar diante do computador só pra escrever e sem me distrair com outra coisa, mas às vezes ter DDA não ajuda, e até um fio intrigante vagando na janela lá na frente é mais interessante que escrever.
enquanto isso a listinha vai crescendo.
Então disquetes ainda eram meio difundidos, estávamos em 2005. Primeiro ano da faculdade, sem casa fixa, portanto sem gravador de CDs, e com muitos trabalhos pra fazer.
E naqueles tempos sem pen-drive, não sei qual das vozes na minha cabeça me aconselhou a que eu sempre andasse por aí, não com bloquinhos, mas com um disquete com o livro inteiro dentro da mochila.
Encantada pela modernidade da coisa, fiz isso. Não sei, não pergunte porquê eu simplesmente não o armazenei em um dos meus e-mails, porque muitas coisas na vida não podem ser explicadas.
A menina aqui simplesmente andava por aí com um disquete que continha alguns anos de trabalho, e um selo laranja escrito o nome do livro e a data de início.
O resto da história você deve ter sacado. Nada que Murphy não faça sem a ajuda de uma urgência, acompanhada de um esquecimento.
Já que computadores de laboratórios da faculdade ainda não contam com um alarme “EI, VOCÊ ESTÁ ESQUECENDO SEU CD, SUA LHAMA!”, sempre há o bom e velho “achados e perdidos” no canto, cheio de trabalhos perdidos para todo o sempre. Até hoje eu ainda passo lá, só pra aliviar minha consciência.
A verdade é que nunca mais o encontrei. Coloquei até anúncio no mural da faculdade, mas nada.
Fico pensando em quem foi que o encontrou. Se chegou a ler, se chegou a entender a importância daquilo. E podia dizer pelo menos se gostou, o maldito. Me encaminhar uma resenha anônima, qualquer coisa que fosse.
Sei que hoje, em algum lugar do Paquistão ou Coréia Comunista, as 15 primeiras páginas de uma versão antiga do meu livro devem constar no topo dos mais vendidos…
Um amigo gênio meu certa vez me disse, parafraseando um dos criadores do South Park, que criar é a melhor alternativa pacífica pra seres problemáticos como nós. Afinal, tem dias que você chega no seu limite: ou pega uma arma e faz uma chacina, ou pega uma caneta e um papel e canaliza esse sentimento de outra maneira.
Rebecando é protesto. É meu jeito de não sair por aí atirando em tudo e todos. A Rebeca e seus quadrinhos saíram da minha cabeça de uma maneira muito, muito estranha. Foi fácil demais. A imagem dela tava pronta, e ela é tão autobiográfica que até dá medo. Parece que é coisa doida, parece que é coisa que baixa em mim, de repente as idéias vão fluindo e as tirinhas vão aparecendo. Não preciso pensar. Talvez, se pensasse, a qualidade das piadas fosse muito maior. Mas não funcionaria tão bem terapeuticamente falando.
Foi simples: em 2005 eu me via revoltada e inconformada com tanta coisa na faculdade que percebi que se eu transformasse tudo aquilo em posts, ia virar uma blogueira chata, eterna, cansativa e mal amada. Daí, depois de muitos Bill Wattersons e Fernandos Gonsales, achei que transformar revoltas em piadinhas de 3 quadrinhos é a melhor terapia já criada.
Daí, minhas meninas andaram paradas por quase 1 ano. Não que não tenham aparecido milhões de motivos, mas parece que eles resolveram ficar incubados.
Hoje, então, me meti em uma situação fantástica: 4 horas em um lugar estranho sem nada pra fazer, um momento de 4 horas que me fez sentir tão Rebeca, sem um livro pra ler, sem uma janela pra admirar a chuva.
Mas, na mesa defronte, sulfites e canetas.
E, na minha cabeça acima, inconformações várias.
Comecei a rabiscar. A Rebeca ressuscitou então. Mais idéias nasceram… e, melhor, vontade de desenhá-las! Ora viva!
…
bom, foi só pra registrar isso mesmo. É o processo de criação do Rebecando que me encanta, ele é fácil demais, só precisa de umas inconformidades, que é o que não falta.
Daí… está tudo devidamente listado no arquivo “textos digitados” que guardo na minha pasta Rebecando aqui no computador. O problema das tirinhas é que, depois do texto feito, é preciso de sentar pra desenhar, um scanner pra escanear, um Photoshop pra photoshopar, e por fim, a publicação no blog.
Quanto mais difícil o processo, mais fácil fica desanimar no meio do jogo e colocar o relógio como desculpa, ele, sempre o bode expiatório.
É como diria a Rebeca: >_<
Arquivado em: bloquinhos salvadores
uma pessoa prevenida deve andar com bloquinhos de anotação no bolso, e deixá-los espalhados pela casa. Porque vai saber quando você vai sair com uma idéia nova.
Foi pra anotar essas repentinas fanfarronices cerebrais que comprei um bloquinho cuja ilustração da capa lembra muito o que imagino pro meu livro.
Claro que, com as constantes trocas de bolsas feminina, quando preciso, ele sempre ficou em casa, dentro da bolsa errada.
Ontem minha mãe fez uma limpeza num móvel na casa dela e encontrou um caderno daqueles de cartografia (com folha de seda folha sim folha não, aquele luxo), onde descobriu, entre um mapa e outro, várias anotações minhas sobre o taldoditocujo livro.
O difícil é entender, tempos depois, o que eu quis dizer com notas como
“passa 1 tempo: vagalumes, descrição”
ou ainda com
“discurso iluminista”
nota mental: 1. deixar minhas notas mais claras. 2. coração – papel picado, torradas 374.

