Palitos de Fósforo


screw vacations
Outubro 18, 2009, 7:21 pm
Arquivado em: Insônia criativa, bloquinhos salvadores, emprego, socoro

voltei pra casa encucada. sexta-feira, 19h30 da noite, um dos meus diretores olhou torto pra minha estratégia e me perguntou: onde estão suas ideias mirabolantes?

vai ver estavam na praia, tomando água de coco, ou já tinham ido pro happy hour há muito (às vezes essas aí se valorizam mais do que eu e aproveitam a vida que é uma beleza).

e fui embora, não era nada grave com prazo apertado, fim de semana é pra descansar, sair, dormir, pensar na vida, nos amigos e esquecer tudo, até a internet, ignorar completamente toda e qualquer coisa que seja ligada à vida profissional.

E quem consegue?

Cérebro criativo se boicota. Você pode querer não pensar em alguma coisa. Ele, só de teimoso, fica trazendo ela à tona, e mostrando a situação, como um molde 3D, lá dentro. E você começa a ter ideias, a pensar. Aí você pode assobiar, ligar prum amigo, correr na praia e até falar bem alto pra não dar ouvido às ideias. Chega uma hora que você não aguenta mais e se entrega: pega o caderninho.

A verdade é a seguinte, meu querido: ideia adora fazer hora extra. Quem trabalha com criação não tem férias.

 

O_O

 

E ideia de final de semana devia deixar o job muito mais caro.



tô salva
Agosto 27, 2009, 3:39 pm
Arquivado em: emprego, publicidade

Trabalhar sempre vai desmotivar. Tem dias em que você quer escrever seu livro, não um e-mail marketing sobre o Viagra.

Isso pode não ter cura, mas tem paliativo: é fazer uns projetos bacanas no trabalho.  A Salve está com uns jobs bem divertidos de fazer e de ver. O site foi atualizado ontem, se quiser ver entraí na seção Trabalhos.

É um post meio jabá meio desabafo positivo, pra dizer que às vezes me sinto na Ludovica, a agência do segundo ano de faculdade (há 3 anos…) em que a gente achava que era fácil transformar até projeto ruim de produto ruim em coisa bacana e útil pra galera.

Ê!

croquete de mandioca com jabá



proatividade não é importante só no currículo
Julho 23, 2009, 12:44 pm
Arquivado em: Revolução, emprego, socoro, teoria

Sabe trocar papel higiênico no banheiro?

Sabe colocar o açúcar no açucareiro?

Tô cansada (no outro sentido da palavra, não fisicamente cansada) de fazer isso por onde vou. São umas coisinhas tão mínimas, mas pouca gente faz. Sei lá se é problema de criação, se nunca morou sozinho ou se comeu muito Fandangos quando era criança e ficou acostumadinho. Não, as coisas não têm vida própria e não se criam sozinhas. Não custa fazer, você perde umas calorias e ainda melhora as coisas pra você mesmo.

E isso vale pra vida. Porque acredito que quem não levanta o dedo nem pra tirar a pasta de dente que caiu na pia não vai se preocupar com salvar, salvar o planeta, ou salvar-se se puder.

Depois que me formei, percebi que muita coisa do que a gente faz (ou não faz) nos trabalhos da faculdade, a gente leva pra vida. Sério, pode perceber. Tenta marcar uma balada com seu grupo de trabalho da faculdade. O proativo vai marcar, o esforçado vai se esforçar e o reclamão vai reclamar. Afinal, somos a mesma pessoa, produzindo um vídeo ou lavando o banheiro.

Isso é pensável. Não consigo entender falta de proatividade. Preguiça de viver? É tão gostoso ser atento, sair e fazer.

Vale pra vida.



levanta e faz o café
Julho 21, 2009, 3:09 pm
Arquivado em: emprego, inspirando

É como um retwitt de post. A Cláu fez este post pra estudantes de Jornalismo. Eu digo que serve pra todo mundo, inclusive para publicitários recém-formados. Muito legal.

10 coisas que o estudante de jornalismo poderia fazer nas férias

Ó, eu nunca faço isso. Não faço porque esse blog não é dessas cousas, sabe? Jornalismo. Tsc. Jornalista, pra mim, tem que ser jornalista até nos ossos – e meus ossos não se sentem, assim, particularmente  jornalistas. Mas ao mesmo tempo tenho um grande querer bem, uma simpatia alimentada com muito custo deeesde 2006 por essa profissão ben(?)dita, e muitas coisas que aprendi nessa longa estrada (ahahah ahaha aha) vão servir pra minha vida, não importa o que eu faça dela.

Aí me vem um site e um blog querendo listar as 30 coisas que o estudante de jornalismo deve fazer nas férias. Ah, meu amor, não crie rugas nessa testa de 21 anos. Não vou dizer que a ideia por si só é um tanto… ilusória, já que  estagiário não costuma esbanjar dias de descanso, mas os conselhos não são exatamente o que a gente pode chamar de… sei lá, a última palavra em jornalismo desde Gay Talese.

Do que me adianta, meu santo bom Deus, ter um post retuitado 20 vezes? E o que seriam 100 fotos surpreendentes – closes do seu boxer babando em ângulos fenomenais podem tocar o terror e surpreender muita gente, por exemplo. Mas a melhor de todas, creio eu, é a dica 13: recorte e redimensione fotos em um Photoshop da vida. Recortem, crianças, recortem tudo! Isso vai ser bom pra sua carreira! Dá pra colocar no currículo!

Olha, eu não estou apontando dedos pra ninguém, nem mesmo acho que o post esteja mal-elaborado. Cada um segue as dicas que quer e algumas delas são bem legais: fazer um blog, por exemplo, é super saudável. Ter um RSS pra acompanhar sites bacanas também é super prático e é muito bom ter bastante contato com novas tecnologias, pois você vai precisar delas mesmo que faça parte da Resistência. Mas se eu tivesse que escolher um tópico que salva realmente essa lista, seria o último (abre aspas):

Lembre o motivo de por que você quer ser um jornalista.

Afinal, por que cazzo você está às 3h da manhã, na frente de um computador, lutando contra a gravidade cada vez mais evidente em suas pálpebras, pra editar um vídeo de cinco minutos? Por que, meu querido, você fica aí, escrevendo besteiras sobre o metrô nesse tal de Tuit, em vez de fazer algo que dê mais dinheiro e paz de espírito? Qual a razão de ligar freneticamente praquele especialista enjoado que claramente não quer te atender, ou para aquela perfilada difícil, mas que você faz questão de ouvir? Por quê? Por queeeeeê?

Não sei. Você é que sabe, ué. Cada um tem seus motivos. Mas todos eles podem ter um ponto, um minúsculo pontinho unificador e bastante esperto: a paixão. No fundo, no fundo, aquilo é o que você gosta – ou está mais perto disso do que qualquer outra coisa – de fazer. Gente, que loucura! Você… você gosta de editar vídeos até o fim da madrugada. Gosta de trabalhar durante o fim de semana e apurar por meses só pra ver o seu infográfico reluzente ganhando um Malofiej. Gosta de escrever uma reportagem linda, que passe pela edição quase inalterada, e gosta de revisar os textos que chegam na sua mesa, mesmo achando que isso não é jornalismo. Gosta de transcrever entrevistas.

Tá, tá, ok. Ninguém gosta de transcrever entrevistas. Mas é importante fazê-lo e você sabe disso porque, afinal, há um objetivo maior. Tem que ter, mesmo que não faça sentido pra mais ninguém. Afinal, você não escolheu jornalismo à toa, apontando o primeiro curso que apareceu no Guia do Estudante (se você fez isso, me desculpe, talvez essa parte do texto não faça muito sentido, ok). Não vamos falar em vocação e outros bichos; talvez você tenha aprendido a gostar de jornalistar, simplesmente. Isso é bom.

Daí que depois de toda essa corredeira de palavras, tomei a liberdade de desenvolver uma lista própria de 10 coisas que o estudante de jornalismo poderia, entre um frila e outro, fazer nas férias. Bastante utópica, talvez ingênua (como este post, devo dizer), mas a intensidade de cada dica fica por conta de vocês – e de mim também, é claro: preciso começar a seguir meus próprios conselhos. Espia:

1. Antes de retuitar aquele link fenomenal, clique nele e leia a página do começo ao fim. É bom demais ser o primeiro a dar a informação, mas podemos estar mandando bobagem adiante. Quando alguém percebe um absurdo, você se defende: “mas eu não li direito”… né verdade? Não é muito legal.

2. Tire fotos daquilo que te surpreende e mostre para seus amigos. Conte de onde veio a ideia, quem eram as pessoas na fotografia, o que faziam. Se quiser editar, edite, oras. É mais divertido e menos confuso do que parece e pode dar um toque lindo no seu trabalho. Dê uma olhada em tutoriais, se for o caso.

3. Olhe para as pessoas. Linhas de expressão, marcas de nascença, tudo conta uma história. Tente sacar os mini-contos que cada um carrega, ou apenas imagine. Lembra do Sherlock Holmes? O segredo daquela genialidade absurda estava nos detalhes deixados em cada cena do crime, em cada suspeito. Você não precisa ser Sherlock para deduzir certas coisas. Deduza! E, se possível, confirme, mesmo que só pela diversão. Faz um bem danado. E ah, claro, você nem precisaria dessa informação, mas deduzir não é preconceitar.

4. Inspire-se profundamente. Gosta de Machado? Leia Machado e o que mais vier junto. Adora uma banda em particular? Escute grupos que se inspiram nela. Clique em blogs legais, visite museus, brinque, vá ao teatro ou ao cinema, ou alugue aquele filme velho, velho, que só você tem paciência pra assistir pela décima oitava vez. Deixe-se ficar enlevado – tudo o que você escrever e produzir depois disso vai sair bem melhor.

5. Referências, referências! Jornalistas adoooram uma referência, uma anotação pitoresca e, ah, como esquecer dela, uma boa metáfora. Gaste um tantinho de cérebro pensando em coisas que poderiam estar ligadas, espelhos, citações. Pode ser só pela diversão, também, mas dá pra fazer durante o trajeto do metrô e não custa nada.

6. Duas palavras: jornalismo literário. Se a sua vida não faz mais sentido, se você tem vontade de queimar releases em uma grande fogueira e empurrar seu chefe bem para o meio dela,  se você xinga aquela assessora estúpida por não passar o ramal certo da sua fonte… respire fundo, sente-se e vá ler um perfil, uma reportagem bem elaborada, um livro da Eliane Brum. Esqueça por um minuto as tragédias na Bolsa de Valores ou o número de acidentes na Fernão Dias e tenha acesso a bom jornalismo. Claro que dá pra encontrar esperanças nas hard news, mas a notícia bem bem-acabada, com menos corre-aqui-pega-ali, bom, esse tipo de jornalismo dá o maior gosto. É  o jornalismo que cria imagens na sua cabeça.

7. Banque o editor carrasco consigo mesmo. Escreveu um texto? Seja chato: confira vírgulas, frases, palavras, tudo, tudo mesmo. Só por diversão, apague frases e pense em um outro jeito de construí-las. Os créditos estão lá? Pois trate de colocar os créditos. (Aliás, a ideia desse post veio daFabz, lá do meu trabalho. Valeu, Fabz!) Ai, parece bobo, né? Então aguenta quando seu professor/chefe voltar à rotina particularmente chateado com o fim das férias.

8. Respire outros ares. A vida não é jornalismo. A vida não é jornalismo. A vida não é jornalismo, mas jornalismo tem muito a ver com viver. Pegou? Agora vá gravar um vídeo que vai ser o novo hit no Youtube ou lavar seu cachorro.

9. Clássica e clichê: relembre o porquê de estar na profissão. Começamos assim o post e é mais ou menos assim que ele termina. Seus princípios podem ter mudado e seu foco também – aliás, a graça é essa. Se você acha que não tá ornando, que jornalismo não tem mesmo nada a ver com você, muda de rumo, oras. Já tem muito jornalista entediado nesse mundo, que não muda de ares por medo, mas também não quer ficar. Que que acontece? Na maioria dos casos, um jornalismo ruim, chato de ler, sem graça, sem gosto, meh. Em outros, raros, o trabalho é bom, mas o profissional é infeliz. E aí?

10. Cansou? Ui, esse post foi longo, né. Mas a minha última dica nessa lista absolutamente pretensiosa é também gabaritada: saiu da boca, mais ou menos nesse formato, do Marcelo Duarte, o autor do Guia dos Curiosos, que eu tive a sortezinha de entrevistar pro meu TCC. Quote: “seja curioso. Jornalista tem que ser curioso”. Mais do que prestar atenção e fazer perguntas, você deve realmente querer saber a resposta pra elas – e não se conformar com apenas uma versão. Arranje um jeito, uma motivação aí dentro de você pra fazer do seu trabalho a profissão “mais honesta do mundo”, segundo Gay Talese.

Jornalismo pode ser gostosão de fazer ou pode ser um saco. Pode ser apenas uma parte da sua vida ou uma vida toda. Pode ser bonito e emocionante ou feio e embrulho de peixe na manhã seguinte. Pode ser feito com Sazon ou nas coxas. You decide.

Sei lá. Sou só uma estudante de jornalismo e ainda vou ter muito sapo pra engolir pela frente. Um dia vou ver esse post e achar uma bobagem completa, que a vida real não é assim, que deadlines estão aí e vão acabar me causando uma síncope e me hospitalizar por semanas e… bom, e tudo mais. Mas uma coisa, pra mim (o blog é meu, né), é certa: fazer o que gosta – mesmo o que não gosta dentro daquilo que gosta – e sentir que dá certo e dá jogo… putz, isso é fenomenal, acho que é o que eu quero pra minha vida. Sei lá o que você, leitor desavisado, que esbarrou nesse blog por acaso, coitado, quer pra sua. Mas espero que te faça bem. :)

E é isso. Próximo tópico?”

Cláudia Fusco



copie e cole esse post
Outubro 14, 2008, 12:17 pm
Arquivado em: Revolução, a Internet, conceito perfeito, emprego, megalomanias | Tags:

Não acredito em direitos autorais. Mesmo vivendo disso (e a tendência é viver disso cada vez mais, se tudo der certo), eu acredito no seguinte: de onde veio, tem mais. Se alguém copiou o que eu fiz e eu não ganhei dinheiro com isso, pelo menos ajudou a viralizar. Se alguém copiou o que eu fiz, e eu ganhei dinheiro com isso, eu ganhei dinheiro com isso. Se eu não ganhei dinheiro com isso, e o alguém que copiou ganhou o dinheiro, azar.

Copyright morreu, e a gente tem que aprender a viver sem ele. Eu escrevo por essa internet aqui, de graça, há pelo menos uns 6, 7 anos. Nunca me preocupei se alguém ia pegar meu texto e distribuir pela rede dizendo que quem escreveu o dito cujo foi o Veríssimo. Claro que dói um pouco, mas a realidade sempre dói um pouco.

Claro que quero ganhar dinheiros publicando livros. Mas se eu chegar a publicar um livro e não receber dinheiro com ele, o barato é descobrir jeitos de vender meu livro em outros formatos que não sejam meu livro. É vender a experiência de ler meu livro, não o livrinho empacotadinho, com páginas e índices. Esse aí, meu bem, ninguém mais segura. E viva os piratas.

vídeo pra fazer pensar um pouco sobre essa história toda. Assisti ontem num curso que o pessoal aqui da agência está dando, falando sobre esse assunto mesmo, e achei fantástico. Importante lembrar que sou fã da Disney, de qualquer forma.



Ô Siqueira
Julho 23, 2008, 9:38 pm
Arquivado em: emprego, publicidade, tenho medo | Tags:

primeiro clica pra ampliar.

agora lê.

anúncios de vagas de emprego são mesmo uma arte. Alguém realmente vai querer ser redator na agência CONFIDENCIAL do siqueira@hotmail? o.O medo.