Palitos de Fósforo


Puxa, e eu nem contei!
Agosto 20, 2009, 1:02 am
Arquivado em: O livro, Revolução, bloquinhos salvadores, inércia maldita, o outro livro

Li o livro The Writer’s Block (ainda vou falar dele aqui), e foi ótimo.

Ótimo porque além de dar várias dicas para escritores incompetentes como eu (era até pouco tempo), ele me abriu os olhos para o seguinte: em todas as páginas do livro, está implícito que pra você ser um escritor, tem que escrever todos os dias, como uma rotina.

Ou seja, dentre as 786 dicas do livro, não existe a dica: Tente escrever todos os dias. Não. Pro autor, é óbvio que você escreve todos os dias, e se não escreve é porque teve um bloqueio. E precisa se livrar disso.

Deste livro em diante, estou indo dormir mais tarde, mas com a sensação de dever cumprido. Não fico mais 4 meses sem tocar no meu livro lamentando minha falta de tempocriatividadepaciênciaorganização.

Agora escrevo todo santo dia meia página do meu livro (ou melhor, dos 3 que estou escrevendo). Às vezes me irrita porque parece que estou escrevendo forçada e que a qualidade do texto cai um pouco, mas só a sensação dos livros estarem vivos e crescendo, e a sensação real de que eles vão ter um fim afinal, me deixam feliz.

É isso.

não há desculpas.



proatividade não é importante só no currículo
Julho 23, 2009, 12:44 pm
Arquivado em: Revolução, emprego, socoro, teoria

Sabe trocar papel higiênico no banheiro?

Sabe colocar o açúcar no açucareiro?

Tô cansada (no outro sentido da palavra, não fisicamente cansada) de fazer isso por onde vou. São umas coisinhas tão mínimas, mas pouca gente faz. Sei lá se é problema de criação, se nunca morou sozinho ou se comeu muito Fandangos quando era criança e ficou acostumadinho. Não, as coisas não têm vida própria e não se criam sozinhas. Não custa fazer, você perde umas calorias e ainda melhora as coisas pra você mesmo.

E isso vale pra vida. Porque acredito que quem não levanta o dedo nem pra tirar a pasta de dente que caiu na pia não vai se preocupar com salvar, salvar o planeta, ou salvar-se se puder.

Depois que me formei, percebi que muita coisa do que a gente faz (ou não faz) nos trabalhos da faculdade, a gente leva pra vida. Sério, pode perceber. Tenta marcar uma balada com seu grupo de trabalho da faculdade. O proativo vai marcar, o esforçado vai se esforçar e o reclamão vai reclamar. Afinal, somos a mesma pessoa, produzindo um vídeo ou lavando o banheiro.

Isso é pensável. Não consigo entender falta de proatividade. Preguiça de viver? É tão gostoso ser atento, sair e fazer.

Vale pra vida.



dica pra feriados
Julho 9, 2009, 5:13 pm
Arquivado em: Revolução, inspirando

Sair é sempre uma tentação. Sair inspira. Mas de nada adianta se inspirar se você não passar pelo menos um dia botando a inspiração pra fora.

Não vá se explodir de ideias. Pegue uma quinta-feira de feriado ensolarado, sente-se diante do computador e coloque esses dedos pra funcionar. Deixe a janela aberta que o sol continua lindo lá fora e você não pode perdê-lo.

Escrever à luz do dia (para algo que não seja uma marca) é bem melhor. :)

escrito que o Kenny fez no moleskine que dei pra ele, semi-inspirado em um dito meu :)



copie e cole esse post
Outubro 14, 2008, 12:17 pm
Arquivado em: Revolução, a Internet, conceito perfeito, emprego, megalomanias | Tags:

Não acredito em direitos autorais. Mesmo vivendo disso (e a tendência é viver disso cada vez mais, se tudo der certo), eu acredito no seguinte: de onde veio, tem mais. Se alguém copiou o que eu fiz e eu não ganhei dinheiro com isso, pelo menos ajudou a viralizar. Se alguém copiou o que eu fiz, e eu ganhei dinheiro com isso, eu ganhei dinheiro com isso. Se eu não ganhei dinheiro com isso, e o alguém que copiou ganhou o dinheiro, azar.

Copyright morreu, e a gente tem que aprender a viver sem ele. Eu escrevo por essa internet aqui, de graça, há pelo menos uns 6, 7 anos. Nunca me preocupei se alguém ia pegar meu texto e distribuir pela rede dizendo que quem escreveu o dito cujo foi o Veríssimo. Claro que dói um pouco, mas a realidade sempre dói um pouco.

Claro que quero ganhar dinheiros publicando livros. Mas se eu chegar a publicar um livro e não receber dinheiro com ele, o barato é descobrir jeitos de vender meu livro em outros formatos que não sejam meu livro. É vender a experiência de ler meu livro, não o livrinho empacotadinho, com páginas e índices. Esse aí, meu bem, ninguém mais segura. E viva os piratas.

vídeo pra fazer pensar um pouco sobre essa história toda. Assisti ontem num curso que o pessoal aqui da agência está dando, falando sobre esse assunto mesmo, e achei fantástico. Importante lembrar que sou fã da Disney, de qualquer forma.



o homem que saiu do armário
Setembro 11, 2008, 11:57 am
Arquivado em: Revolução, inspirando | Tags:

“For the Conflux Festival Lucas Murgida will construct a cabinet on wheels and leave it on the sidewalk. The artist will hide himself inside and not reveal himself until someone assumes possession and brings the cabinet to their home.”

mais ações bizarras como essa (ou um pouco mais sensatas) estão fazendo parte do Conflux Festival, que essa semana vai colocar nas ruas de Nova York projetos de um monte de artistas com idéias legais. Coisas do tipo… um teatro de fantoches portátil. Rá!

Não gosto muito de usar a expressão gosto muito, mas gosto muito.



desfoquei
Agosto 29, 2008, 6:20 pm
Arquivado em: O livro, Por que fósforos?, Revolução, a Internet, dor de cotovelo, tenho medo | Tags: ,

virgem maria, desfoquei.

o Palitos era pra ser mais isso e menos “meu dia a dia como recém chegada ao mundo publicitário”.

Tá. Comprei esse livro aqui. Deve chegar daqui umas 2 semanas. Lá vem uma resenha.

Enquanto isso, visite o blog da menina, que ela é genial. Faço desse texto que ela fez pro Ítalo Calvino meu (digo, não meu. Dela. Mas enfim, aqui está):

“August 05, 2008

to the ghost of Italo Calvino

Hi.

It’s me again.

I know we’ve had our little episodes in the past. Thank you for them. I know at times you’ve frustrated me a bit, but I’m willing to let go of all that because you keep me on my toes. Let me just say that I know you like to mess from people because after a wrote about you several people wrote me and told me that you messed with them too.

But I think it’s great. Really I do. I like that you are keeping us on our toes and opening us up to things that we all would rather not pay attention to. Like the fact that books have a life beyond the author, and that they are in many ways animate things. I’ve always believed that, you don’t need to convince me any further.

But I digress. I am calling on you for another reason entirely. You see I’m working on a new book. It’s something that I think you would really like. Scratch the “think”. I know. And I would like you to come and help me with it. I don’t need you to write it for me, just lend me some of your spirit. That would be perfect. I’m willing to put up with any shenanigans that you would need to inflict on me, (including hiding my books and moving things around a bit.) I don’t mind one bit.

And if you could contact Bruno Munari while you’re at it, maybe he could come and help too. Together we can all make something really great.

That’s all for now.

hope to hear from you soon,
creatively yours,
keri smith

p.s. I miss you.

Posted by kerismith”

gênio.



e rasgar sua roupa cerrando os dentes.
Julho 28, 2008, 6:19 pm
Arquivado em: Revolução, publicidade | Tags: , , ,

Tarde de calmaria, propícia para assuntos banais.

Quando a janelinha piscante laranja se abre. É o amigo assistente de arte.

Firmino diz:
como os clientes conseguem SEMPRE escolher a PIOR opcao de layout e ainda PIORAR com as alteracoes???????????
Firmino diz:
E MINHA PERGUNTA ´E SERIA. COMO???????????
Firmino diz:
COMO ELE  VAI DORMIR PENSANDO, NOSSA APROVEI UMA COISA BACANA HOJE????????
Firmino diz:
´E IMPRESSIONANTE
Firmino diz:
SEMPRE
Firmino diz:
SEMPRE A MAIS FEIA DE TODAS AS OPCOES
Firmino diz:
E ELES SEMPRE PEDEM PRA AUMENTAR TUDO!!!!
Firmino diz:
Q SACO
Firmino diz:
SER [UBLICITARIO ´E UM LIXO
Firmino diz:
OU VOCE ASSUME Q NAO ´E NADA NEM PERTO DE UM ARTISTA OU VOCE FICA FRUSTRADO COM TODO E QUALQUER TRABALHO
Firmino diz:
COMO PODE
Firmino diz:
DE VERDADE
Firmino diz:
TEM PESSOAS Q NASCERAM SEM NENHUM SENSO DE ESTETICA MESMO
Firmino diz:
NAO E Q ELAS ACHAM O Q E BONITO E FEIO IGUAL, Q ELAS NAO SAIBAM DIFERENCIAR
Firmino diz:
ELAS ACHAM O QUE E FEIO BONITO E O QUE E BONITO FEIO
Firmino diz:
ELAS TEM O PADRÃO DE ESTETICA INVERTIDO
Franfran diz:
tipo a família adams!
Firmino diz:
E “APROVAM” TUDO QUE UM CARA QUE ESTUDOU ARTE E SABE PRA CACETE DISSO (nesse caso o diretor de arte aqui, nao eu) FAZ
Franfran diz:
hhahahahahah
Franfran diz:
pooooosso transformar num post?
Franfran diz:
posso posso?
Firmino diz:
HAHAHA PODE
Firmino diz:
mas deixa claro q as caixas altas sao em tom de “gritando para um precipicio com raiva e ouvindo um eco muito alto antes de apagar uma fogueira com pulos gritando sons de animais”
Firmino diz:
e rasgar sua roupa cerrando os dentes.

Os nomes foram modificados para preservar a identidade dos envolvidos.



Let Me Sing, Let Me Sing
Maio 16, 2008, 12:27 pm
Arquivado em: Revolução, inspirando, tenho medo | Tags: , ,

Esse vídeo foi uma ação de guerrilha de um site de venda de Tickets online, o Lastminute.com. O conceito é simprão: “Há quanto você não vai ao teatro?”

Sempre quis fazer uma ação assim. Nem tanto pra um produto, mas pra vida, tipo intervenção artística mesmo.

Como ação, é a mais clichê e primeira idéia impossível. Na real eu nem sei se funciona (vide as caras de lhama das pessoas em volta). Mas comigo, que sou público-alvo mais que alva de peças musicais, funcionaria supimpamente.

Quanto às caras de lhama, talvez provenham dos genes anglo-saxões das vítimas. Talvez aqui no Brasil a galera entrasse na dança e cantasse também. Talvez não. Talvez a gente já tenha se perdido em meio aos fastfoodscocacolascidadesgrandesliberdadesculturaisdementira e herdado o grande e cinzento gene sisudo.

PS: Descobri que o Palitos é uma versão mais fácil do Rebecando. Mais fácil porque não precisa desenhar, pintar, tratar. É só chegar e escrever. Descobri porque sempre venho pra cá quando tenho algum protesto/lamentação/exaltação relacionada à vida profissional/acadêmica. Heh.



Nos dias de hoje, as pessoas…
Março 11, 2008, 11:07 pm
Arquivado em: Revolução | Tags:

Qual a função do publicitário criativo na construção, manutenção ou redefinição de marcas?

Quarto ano da faculdade, e uma dissertação sobre esse assunto é a nota de Redação Publicitária do Bimestre.

Dissertação? Eu não sei fazer dissertação. Esqueci no vestibular, por favor não me amarre. Minha dissertação vai ser narrada por pequenos esquilos anarquistas. Terá diálogos. E muita primeira pessoa do singular. E tenho dito.



as 2-1/2 idéias de hoje

pra usar no almoço: as mesas compartilháveis de praças de alimentação de São Paulo-na-hora-do-almoço-dos-trabalhadores me proporciona momentos de puro pânico. É uma lógica muito bizarra você sentar ao lado de [ou às vezes de frente com] um total desconhecido e almoçar na mesma mesa que ele, sem conversar com o sujeito, e sim olhando para o horizonte ou trocando idéias com seu colega de trabalho. Ah não. Fui criada almoçando na mesma mesa que minha família-margarina, todos conversando e interagindo, é assim que funciona: tá na mesma mesa, tem que conversar. Desse pânico brotaram duas idéias:

1- incluir seus amigos de mesa na sua conversa com o pessoal da sua empresa.

você- A Renata do RH tá saindo com o cara do financeiro, sabia?

pessoa aleatória- Quem é Renata?

você- É uma loirinha lá da firma. Acho que vocês combinam.

2- não tem como você não ouvir todo o assunto dos companheiros ao seu lado. Portanto, não tem como os companheiros ao seu lado não ouvirem o SEU assunto. Imagine as possibilidades que isso não traz:

você, bem alto, para seu colega de trabalho- Lá na cadeia o almoço era melhor do que isso aqui. De que chão engordurado será que esse cozinheiro raspou o prato do dia? Quer dizer… não sei se é o gosto do veneno que eu tomei hoje de manhã que tá me confundindo. Pior que nem surtiu efeito. Não surte mais efeito, cara, não surte! Acho que desisto, vou tentar me alimentar de luz de novo, da última vez até funcionou. Só não funcionou muito bem pro meu irmão, que virou uma barata gigante, e morreu logo depois de me engravidar. Só espero que não nasça com as antenas do pai.

pra usar no café da tarde: Starbucks e seu lindo hábito de escrever nomes nos copos proporcionam momentos de estudo teatral incríveis. Um dia você pode ser a Rebeca, uma menina hiperativa e meio Juno. No dia seguinte, vive a Shirley, uma dançarina de cancan decadente. No outro, ainda, é a Lorena, uma menina que vive na Alameda Lorena, cria porquinhos da índia e tem tique nervoso na hora de piscar. A brincadeira é escolher o nome na hora de pedir o copo, e interpretar a personagem o tempo todo enquanto estiver no café. Com o tempo, a coisa pode evoluir, e você já vai até vestido de acordo com o personagem do dia. Com o tempo, a coisa pode evoluir, e você pode até ser internado.