-E se você fosse um sonho que eu sonhasse e eu fosse um sonho que você sonhasse, o que aconteceria com o que acordasse primeiro?

Chegou a hora. Entrei na parte 4 do meu livro. É agora que a história começa a mostrar qual será a grande luta do protagonista. E é agora que eu preciso ficar muito fria. Qualquer azinho fora da vírgula pode deixar tudo muito exagerado e aborrecido. Mais ou menos como comentei aqui, quando falei das minhas decisões sobre a personalidade do vilão. É como pisar em ovos explosivos.

Aí que quase travei no primeiro diálogo desse delicado trecho. Eu tinha na cabeça o tipo de querela que queria que acontecesse pra situar o leitor nas profundezas dessa parte da história, mas achei que não seria capaz de transportar a SENSAÇÃO do que eu pensava para um diálogo. Um diálogo que tinha que ser ao mesmo tempo profundo, ao mesmo tempo engraçado e ao mesmo tempo aflitivo (escrever diálogo é tão difícil, demorei pra pegar o jeito).

A boa notícia é que ontem à noite concluí esse trecho, estou engraçadoprofundoaflitivamente orgulhosa e não paro de relê-lo. Pena que não posso colocar aqui, por motivos de nem morta.

Agora, profundo, engraçado e aflitivo mesmo é escrever. Meu Word diz que estou na página 113, minha cabeça diz que estou só no começo e minha ansiedade nem consegue dizer nada porque não para de gritar palavras sem sentido.

quarta de cores

Tudo o que eu faço ou tento fazer direito na vida é minha técnica pra não levar uma vida sem graça. Não me conformo em ter os mesmos assuntos todo dia, em me gabar das mesmas conquistas vazias da noite anterior, dos 14 aos 50 anos.

Cansei de ver gente lutando desesperado pra não ter “uma vida sem graça” e fugindo da vida real – e tudo o que ganhou em troca até hoje foi uma seqüência de domingos vazios de ressaca na frente da tv ou do YouTube.

Lutar contra isso é uma das minhas unfightable fights.

É isso: não gostou, não pega eu.

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Você tem um minuto?

Acabei de assistir a um filme nem tão bem executado, mas com uma ideia bem perturbadora. No Preço do Amanhã a moeda corrente é o tempo, num futuro em que as pessoas andam com um cronômetro mostrando quanto tempo de vida elas ainda têm, tatuado no braço. Você vê cada segundo se esvaindo, e a cada nova aquisição, o tempo diminui no cronômetro.

Ando bem incomodada de ver o desespero com que a gente precisa correr pra um computador pra ver as atualizações do facebook, procurar o que está acontecendo no iPhone, sendo alimentada pelos feeds como se a vida dependesse disso. E se você tivesse seu tempo restante de vida tatuado no braço, diminuindo a cada segundo, com que frequência correria pra ver a vida passar no dashboard do tumblr? E você teria feito o que você fez na última hora?

E na vida real a gente não consegue nem comprar mais tempo!

- comprei Amor Além da Vida, o livro que originou o filme, na banca da estrada porque esqueci o livro que estou lendo em São Paulo. É interessante como ele guarda algumas semelhanças com o livro que estou escrevendo, o que quer dizer que, sem querer, ele pode ter uma explicação espírita bem doida – e eu adoro essa possibilidade!

- no meu livro, a moeda corrente também não é dinheiro, mas sentimentos. :)

- e quando encontramos muitas semelhanças das nossas coisas com o que andamos lendo ou vendo é que estamos escrevendo, lendo e vendo as coisas certas!

meio xiita mesmo

Angry Birds: 30 milhões de usuários ativos

Os jogadores gastam nada menos do que três trilhões de minutos jogando Angry Birds diariamente.

É que eu sou chata e deleto o SimSocial do meu Facebook pra não perder tempo na vida e tenho essa obsessão por FAZER. Mas o que mais poderia estar sendo feito em 3 TRILHÕES de minutos diários coletivos?

Acho que ando meio angry bird na vida. Catapultem-me daqui!

 

Fomos criados pra criar

Não fomos criados pra passar um domingo à noite assistindo a Fantástico. Não fomos criados pra ligar pro disk qualquer coisa e ficar esperando deitados ela chegar. Não fomos criados pra dar scroll eterno em redes sociais que nos dizem  muito sobre nada. Não fomos criados pra passar 20 minutos no ponto de ônibus se podemos chegar a pé em 10. Não fomos criados pra dar play e ficarmos muito contentes com aquela música genial feita por outra pessoa. Não fomos criados pra entupir a cabeça de ideias alheias e devolvê-las por aí sem filtro porque o filtro quebrou. Não fomos criados pra viver uma vida em que não acreditamos porque “só existe essa opção”. Não fomos criados pra reclamar confortavelmente da falta de opções.

Não. Quando fomos criados o plano era outro. Tudo o que fica parado começa a morrer.  Vida emperrada é um negócio sério.

Isso é um pouquinho assim bem pouquinho do que eu penso. Se ajudar, ajudou. : )

 

virei tatuagem

Leio alguns blogs muito bons de ilustração e afins, e de vez em quando os autores/ilustradores fazem posts com fotos de gente que tatuou seus desenhos. Ficava babando nisso, achava o máximo. Imagina, alguém eternizar seu desenho na pele! Mal sabia eu que, antes de publicar um livro, ter mansões, homens e iates, ou mesmo dominar o mundo, eu veria isso acontecendo por aqui também. Pra quem não viu, um leitor do blog esses dias comentou no Valendo, e enviou pra gente uma tatuagem que fez com um de nossos posts. Achei incrível! Puta consagração (estranha e) legal. :)

Carregar um texto meu nas costas… Taí uma coisa que nem eu tentaria. Pela coragem, muito obrigada! :)

é

mas tive uma iluminaçãozinha (e deus abençoe os palitos que funcionam). Não é mais do mesmo. É uma homenagem a todos os livros de fantasia que li desde miúda.

Não, sério. Pior que é mesmo.

Agora encaro com mais auto-confiança. Pronto.

Tá salvo.

meu livro é a Maísa.

nesse final de semana (tipo, ontem) meu livro chegou à página 40 (no Word, tio), no capítulo 10. Aproveitei que tava lá e acabei relendo.

Foi então que gritei

JESUS. MEU LIVRO É A MAÍSA.

Porque, como não canso de repetir, a idéia dele tá pronta desde 1999, por aí. Eu tinha, o que, uns 12, 13 anos. E não é subestimando minha dozeanice, mas é fato: ele veio de uma idéia criança. Infantil, simples e batida. Daí eu cresci agora sou mulher e continuo insistindo nela, sabe-se lá porque. Só que estou escrevendo essa idéia que nem gente grande. Com firulas, formulações esquisitas, palavras difíceis, toda essa coisarada.

E o bicho tá meio assim: um monstrinho.

A Maísa Silva com uma echarpe Vogue, bem isso.

Tomei uma decisão importante, é isso: encurtar essa história. Ela tem que ser escrita, isso já tá escrito, é inevitável, a fran’s gotta do what a fran’s gotta do. Mas não quero que ela demore tanto. Magina, ia ser uma trilogia, nesse passo o último volume sairia em 2089, com olheiras e cara de louco. Será uma coisa só, um tantinho mais básica.

E então… e então… rumarei ao próximo. Que espero que tenha a idade que aparenta. Ah, e que tenha um target também.

tá ruim, tá ótimo, tá ruim, tá ótimo, tá ruim, tá ótimo, tá ruim, tá ótimo, tá ruim.

You either write it or you don’t. It’s as simple as that.

claro que não esqueci do meu livro. ele não me deixa esquecer, sempre fica martelando na cabeça “até você ter um filho ou uma idéia melhor que eu, eu sou o projeto da sua vida, sua imbecil”.

aí eu descobri alguns blogs de outras pessoas que contam seus processos criativos. e eles me inspiram e também não me deixam esquecer do meu livro. Tem um deles que é de um cara publicitário que conta sua saga em busca de uma editora para publicar sua obra. dia desses deixei um comentário por lá pedindo ajuda, e ele fez um post pra isso. Gostei bastante.

Ei-lo:

September 13, 2008

How long is long?

Yesterday, Franfran commented on this blog: I have an elementary problem: I can’t write my first book. I’m working on it for 7 years (SEVEN YEARS), and it’s just the beginning. Any tips for me in my despair? :(

Far be it from me to suggest I’m able to offer ‘tips’ to any aspiring writers (my lack of success kind of precludes me from doing that with any authority) but I thought it was an interesting dilemma.

How long does a book take?  How long should it take?  Are we saying from very first idea to final draft, or from first word on the page to last?

I went into the process of my own book in an earlier post, but from the initial idea to this point has been a minimum of four years.  I can’t remember exactly when the very first thought came into my mind, but there was a lot of gestation and crappy writing before I actually got anywhere, and it wasn’t until last year that I really took it by the scruff of the neck.  I don’t know for sure, but for a first-time author that feels about average.  I didn’t know what I was doing; I didn’t know how bad it was; I hadn’t developed any ways of working through problems; I was finding my feet.

For proper authors I’ll bet the time it takes to create a book varies enormously.  Barbara Cartland: five minutes.  JD Salinger: we’re still waiting.  They might have ten plots knocking around their heads simultaneously or carefully nurture a single story for decades.  This would appear to be another one of those fascinating grey areas that makes writing both maddening and satisfying.

From my point of view, the only ‘advice’ I could possibly give Franfran is that seven years is nothing if the book turns out right.  If someone could guarantee me that I’d have a really good book written in ten years’ time but nothing until then, I’d be delighted.  I’d also say the same thing I’ve said to several people who tell me they’ve got a great story that they haven’t written: the only person who can do this is you.  Once you accept that, it frees you from the yoke of the myriad excuses that are so easy to find. If you want to write a book there can be no excuses.  You either write it or you don’t.  It’s as simple as that.
That’s the fun bit of today’s post.  The dull bit is two more rejections (they’re reading/rejecting faster than they said they would): Darley Anderson and Coombs Moylett.  I might start sending a few more letters out.

então é isso mesmo. the only person who can do this is you.
eu sabia.

desfoquei

virgem maria, desfoquei.

o Palitos era pra ser mais isso e menos “meu dia a dia como recém chegada ao mundo publicitário”.

Tá. Comprei esse livro aqui. Deve chegar daqui umas 2 semanas. Lá vem uma resenha.

Enquanto isso, visite o blog da menina, que ela é genial. Faço desse texto que ela fez pro Ítalo Calvino meu (digo, não meu. Dela. Mas enfim, aqui está):

“August 05, 2008

to the ghost of Italo Calvino

Hi.

It’s me again.

I know we’ve had our little episodes in the past. Thank you for them. I know at times you’ve frustrated me a bit, but I’m willing to let go of all that because you keep me on my toes. Let me just say that I know you like to mess from people because after a wrote about you several people wrote me and told me that you messed with them too.

But I think it’s great. Really I do. I like that you are keeping us on our toes and opening us up to things that we all would rather not pay attention to. Like the fact that books have a life beyond the author, and that they are in many ways animate things. I’ve always believed that, you don’t need to convince me any further.

But I digress. I am calling on you for another reason entirely. You see I’m working on a new book. It’s something that I think you would really like. Scratch the “think”. I know. And I would like you to come and help me with it. I don’t need you to write it for me, just lend me some of your spirit. That would be perfect. I’m willing to put up with any shenanigans that you would need to inflict on me, (including hiding my books and moving things around a bit.) I don’t mind one bit.

And if you could contact Bruno Munari while you’re at it, maybe he could come and help too. Together we can all make something really great.

That’s all for now.

hope to hear from you soon,
creatively yours,
keri smith

p.s. I miss you.

Posted by kerismith”

gênio.

Blog em WordPress.com.
Tema: Esquire por Matthew Buchanan.

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