a arte como carência, a carência como arte, e títulos longos e sem sentido.

Estou viciada no sensacional Cilada, programa que passa às 21h15 todas as sextas no Multishow, escrito e protagonizado pelo Bruno Mazzeo (filho do Chico Anysio!).

A série trata dos trágicos e indispensáveis “programas de índio” e é altamente identificável. O tema da semana passada foi Teatro Alternativo, daqueles ruins, que ninguém entende, ninguém acha graça, mas ninguém é homem o suficiente pra admitir isso e gritar, no final, que “o rei está nu”. [e isso é tema pra algum post futuro]

Uma das melhores falas desse episódio é mais ou menos assim (transcrição de memória):

“Por que artista é tão carente que precisa perguntar pra todo mundo se gostou do trabalho dele? Já pensou se a moda pega?

*corta pra um cirurgião saindo da sala de operação e conversando com a enfermeira*

– E aí? Gostou da cirurgia? Eu me saí bem? Você… você acha que eu convenci, assim, como cirurgião?”

E é mesmo. Artistas e gente da criação, por mais metidos que sejam, são no fundo um poço de carência que até dói. Afinal, é o retorno que lhes/nos cabe, principalmente em países ou planetas que não costumam dar muitos tostões pra Senhora Cultura e pra Senhora Arte. E posts, posts não dão dinheiro pro arroz e feijão, mas alimentam a auto-estima.

O ruim é quando sua auto-estima é anoréxica, tipo a minha.

Enquanto isso…

Sorte de hoje: Venda as suas idéias – elas são completamente aceitáveis.

O senhor é mesmo um fanfarrão, senhor Büyükkökten.

Gente, gente, vocês gostaram desse blog? Ele convence? Ele tem futuro?

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7 thoughts on “a arte como carência, a carência como arte, e títulos longos e sem sentido.

  1. Eu super adorei a maneira como você expõe as idéias e como super reflete no nosso dia a dia.

    Pior do que os carentes são os mentirosos.

    PS: O bicho da mudança de blog te picou também?

  2. Sim, tem futuro!

    E, sobre a arte-conceitual-blá-blá-blá, uma vez ouvi numa peça na Rooseveld a seguinte fala: “Odeio esse povo que fica comentando o significado do teatro. Teatro é pra sentir, não pra entender.”

    Genial.

  3. Aliás, conhece o mito do Hefesto? http://www.ihb.org.br/interna.asp?p=artigos&oI=1&idA=15

    Atenção para as seguintes partes:
    1) “Segundo Shinoda Bolen, Hefesto personifica a ânsia humana profunda de, mesmo sendo desvalorizado e rejeitado, ser capaz de criar objetos funcionais e belos.”
    2)”Shimoda Bolen define Hefesto como o criador ferido, arquétipo do profundo instinto de trabalho e de criação a partir da forja da alma, transformando a matéria bruta em objetos maravilhosos.” (objetos maravilhosos = arte!)

  4. Não vou responder à pergunta pq detesto essa gente toda carente e metidinha a artista… hunf.

    Mas e as novas tiras do Ornitorrinco, vc viu? Viu?

    (tá, a piada é velha, mas eu não podia deixar de fazer… ¬_¬)

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