Cadê esse povo?

Aí meu priminho está fazendo Jornalismo e me pediu pra eu ajudar com um trabalho dele. A pergunta era: “Como é entrar no mercado de Publicidade hoje e quais foram os obstáculos que você enfrentou pra entrar nele?”. Aí eu me empolguei. E respondi, bastante. Vou dividir com vocês como prólogo pra um outro post que quero fazer, que é “Como não pedir emprego”, cheio de exemplos práticos que copiei de uns currículos por aí.

Claro que a resposta é muito baseada na minha vivência e no meu momento (e quando não é?). Se tiverem alguns contrapontos, por favor, me ajudem nos comentários. Tô curiosa : )

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Oie! : ) Vamos lá, só pra contextualizar. Eu me formei em 2008, e trabalho na área desde 2007, sou redatora. Então sei responder principalmente sobre o mercado de criação.

O que acontece hoje: na época que fiz faculdade, já percebia que muitos professores estão ficando atrasados em relação ao mercado. Na Cásper, onde estudei, eu aprendia coisa demais sobre a publicidade de revista e jornal e muito pouco sobre o mundo digital – que ironicamente, era por onde a maioria dos alunos formados estava entrando pra trabalhar. Ou seja, não sei se isso mudou em 4 anos, mas nos idos de 2005 a 2008, as faculdades ainda preparavam alunos pra um mercado que não existe mais. É a molecada que tem que ir atrás do que está acontecendo de novidade e se preparar.

Eu, pessoalmente, decidi que ia começar a trabalhar no começo do terceiro ano de faculdade, e achei ideal: passei 2 anos caprichando pra caramba nos trabalhos e me dedicando à teoria, e os últimos anos de facul entendendo o mundo real. Mas foi bem difícil achar um emprego legal, principalmente porque eu não sabia o que queria!

Na faculdade, você aprende que pra conseguir um emprego em criação em publicidade, precisa ter uma coisa chamada “pasta” – que já é uma coisa atiga por si só. Uma “pasta”é um portfifólio, que você carrega por aí, cheio de anúncios de mentira que você criou – se vc quer trabalhar com direção de arte, faz uns layouts legais no Photoshop – se quer trabalhar com redação, faz uns anúncios com sacadinhas engraçadas. E te dizer: nunca fui boa de sacadinhas. E achava que não gostava de redação publicitária, porque achava que devia ser um saco ficar sentada escrevendo e pensando em piadinhas. Então nunca tive uma pasta.

O que rolou? Vários amigos começaram a trabalhar em agências boas, tradicionais – a maioria em outras áreas mais fáceis de conseguir emprego, por indicação ou por anúncios na faculdade – e alguns conseguiram entrar em criação, porque eram muito bons de sacadinhas. E eu lá, falando que odiava agência de propaganda, sem saber onde bater.

E esse é um momento delicado, que você tem que ter muito foco. Acho que não é hora de pegar qualquer coisa no desespero e continuar lá, não. Porque está cheio de agência furreca por aí, agência ruim, mesmo, que contrata qualquer um – e uma vez lá dentro, você pode amargar um futuro de agências ruins. É muito mais fácil começar numa agência boa e ir melhorando do que começar numa agência ruim e ficar achando que você é bom na coisa, quando não é, e dificilmente vai conseguir sair de uma dessas.

Aí, passei por 2 estágios xaropes antes de entrar numa agência muito bacana em uma área na qual eu me encaixava perfeitamente – e nem sabia que existia (guerrilha e social media)! Foi uma amiga da faculdade que me indicou lá, e ela lembrou de mim pra vaga basicamente porque ela conhecia meus blogs e várias outras coisas que eu fazia on-line, e que, pra essa área, eram um portifólio muito mais legal que a tal da antiquada pasta. Quando fui ser entrevistada lá (por algumas das pessoas mais geniais que eu conhecia na época), eles me disseram isso: eu não sabia tanto de publicidade, mas tinha tanta referência de artes e tantos projetos meus que demonstrava  levar jeito pra coisa. E fui levando: uma vez dentro do mercado, você vai fazendo contatos e é muito mais fácil continuar lá dentro. Claro que a gente passa por umas fases pessoais de crise, muita gente com mais talento que você, gente que pegou o jeito de criar e te desbanca numa reunião de brainstorm, mas isso vai passando conforme você vai pegando segurança, inclusive pra assumir quando você não está sendo criativo o suficiente.

E aqui vai uma dica de quem está do outro lado agora: recebo zilhões de currículos muito ruins hoje de gente que está fazendo faculdade. Eles têm um monte de cursos, mas não fazem nada além disso, nenhum projeto pessoal, nada. Eu nem olho que faculdade fizeram. Vou direto à procura de algum link pro youtube, twitter, blog, algum projetinho na web, e nem sempre encontro. E, poxa, está tão fácil pelo menos tentar ser bom hoje! Portfólio de quem trabalha com criação não é mais anúncio, nem precisa ter a ver com publicidade. É bom, mas ter talento em várias áreas anda sendo mais importante: prefiro quem tem balé contemporâneo e uma produtora própria de bandas no currículo do que quem fez o curso de social media mais caro da ESPM, mas não sabe lidar com gente na vida real. : ) Claro que estou falando isso do ponto de vista de alguém que trabalha com publicidade digital em uma agência mais moderninha que as tradicionais, mas acho que vale pra tudo.

Como em muitas áreas, não é o mercado publicitário que está difícil. Pelo contrário: estamos cada vez mais à procura de uma molecada criativa, principalmente na área da internet, mas está difícil encontrar gente que tenha interesse e talento para se desenvolver pessoalmente, sem pensar só em conseguir emprego. Como disse, só consegui ingressar na área porque já tinha um bom blog desde a oitava série, antes de sequer sonhar em procurar emprego em publicidade. : ) Cadê esse povo?

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One thought on “Cadê esse povo?

  1. Pingback: Artistinha, graças a Deus. | palitos de fósforo

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