The Paris Review – Jorge Luis Borges

Então comecei uma busca pessoal pra fazer uma coisa que adoro fazer: ler entrevistas. : )

Em breve espero comprar a coleção da Paris Review, mas enquanto $não rola$ (preciso contar como mudei minha relação com dinheiro depois de aguns desesperos e de fazer um job para o Itaú [que você pode ver aqui]), comecei a ler pela internet, mesmo. Vou lendo e tentando compartilhar com você os highlights de algumas entrevistas. E vou colocar em português, porque sou legal.

borges

Aqui vão alguns trechos de uma entrevista com Jorge Luis Borges, autor de quem espero muita coisa mas ainda li pouco.

“(quando publiquei meu primeiro livro) eu queria encontrar cada uma das pessoas que o compraram para pedir desculpas pelo livro e também agradecer por terem comprado.”

”Acho que melhor que chocar as pessoas é encontrar conexões entre coisas que nunca foram conectadas antes”.

“Considero Mark Twain um dos escritores mais geniais, mas acho que ele mesmo não sabia muito bem disso. E talvez para escrever um livro realmente bom, o ideal é que você não saiba disso, mesmo. Você pode sofrer escrevendo e trocar adjetivo por adjetivo, mas vai escrever melhor se deixar os erros. Lembro do que Bernard Shaw disse sobre ‘estilo’: um escritor tem tanto estilo quanto estiver convicto dele – e nada mais. (…) Se um escritor não acredita no que ele escreve,  não deve esperar que seus leitores acreditem. (…) Existe a tendência de tratar qualquer tipo de escrita (…) como um concurso de estilo. (…) Aprende-se a escrever como quem joga xadrez (…) e a maioria (dos escritores de hoje) – menos uns quatro ou cinco, talvez – pensam que a vida não guarda nada de poético ou misterioso. (…) Eles sabem que têm que escrever, e então, bem, (vestem o chapéu de escritor e) mudam para seu tom triste ou irônico de sempre.”

“(Um escritor não deve ser julgado pelas suas ideias, mas) pelo prazer que ele dá e pelas emoções que ele causa.”

“Conrad diz que quando alguém escreve, mesmo de modo realista, sobre o mundo, está escrevendo uma história fantástica – porque o mundo em si é fantástico e grandioso e misterioso, e acho que ele estava certo.”

“Acho que um poeta tem 5 ou 6 poemas para escrever e não mais que isso. (Depois), ele fica tentando reescrevê-los sob diferentes ângulos e talvez diferentes temas, eras ou personagens – mas os poemas são essencialmente os mesmos”.

Sobre um problema com o qual me identifico um pouco:

“Quando um escritor é jovem, sempre acha que o que vai escrever é bobo ou lugar comum, então tenta esconder isso embaixo de ornamentos barrocos, palavras do século 17; ou, se não, se tenta ser moderno, faz o contrário: inventa palavras o tempo todo (…). Então, conforme o tempo passa, ele sente que suas ideias, boas ou ruins, devem ser expressas sem firula, porque se você tem uma coisa na cabeça tem que colocar essa ideia (ou esse sentimento, ou sensação) de um jeito direto na cabeça do leitor.”

“Parece que a primeira coisa que um autor jovem quer fazer é mostrar aos leitores que ele possui um dicionário e que conhece todos os sinônimos do mundo”.

Sobre Shakespeare:

“Mas ele vai lá, com suas metáforas e sua pompa, porque ele é pomposo. Até na famosa frase das últimas palavras de Hamlet, ‘E o resto é silêncio’. É meio boba essa frase; não é impressionante. Não acredito que alguém diria algo assim”.

E um trecho sobre colaboração criativa, que se aplica muito ao processo criativo da publicidade, com as duplas de criação, e tem muito a ver com o que eu penso e já experimentei:

“Às vezes, o co-criador é quase um rival seu. Ou, pelo contrário, ele é tímido e cortês, e se diz alguma coisa que você discorda, ele logo se intimida e retira o que disse. (…) Ou você propõe algo e ele diz ‘Maravilhoso!!!’. Isso não pode acontecer. (…) Não existe perder ou ganhar. Existe uma história a ser contada, juntos.”

Leia o original completo aqui.

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2 thoughts on “The Paris Review – Jorge Luis Borges

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