Esse vídeo foi uma ação de guerrilha de um site de venda de Tickets online, o Lastminute.com. O conceito é simprão: “Há quanto você não vai ao teatro?”
Sempre quis fazer uma ação assim. Nem tanto pra um produto, mas pra vida, tipo intervenção artística mesmo.
Como ação, é a mais clichê e primeira idéia impossível. Na real eu nem sei se funciona (vide as caras de lhama das pessoas em volta). Mas comigo, que sou público-alvo mais que alva de peças musicais, funcionaria supimpamente.
Quanto às caras de lhama, talvez provenham dos genes anglo-saxões das vítimas. Talvez aqui no Brasil a galera entrasse na dança e cantasse também. Talvez não. Talvez a gente já tenha se perdido em meio aos fastfoodscocacolascidadesgrandesliberdadesculturaisdementira e herdado o grande e cinzento gene sisudo.
PS: Descobri que o Palitos é uma versão mais fácil do Rebecando. Mais fácil porque não precisa desenhar, pintar, tratar. É só chegar e escrever. Descobri porque sempre venho pra cá quando tenho algum protesto/lamentação/exaltação relacionada à vida profissional/acadêmica. Heh.
São muitos personagens, cada um com sua história. Tem que tratar todo mundo com o mesmo respeito. Daí acabei de começar a escrever sobre a Greta, e o Word com a mini-biografia dela (tenho de todos os personagens mais importantes) tá em casa*.
Não lembro se ela é órfã ou não, e creia, isso FAZ diferença. De qualquer forma, continuo a escrever, de teimosa. Mesmo correndo o risco de estar seguindo um auto-briefing errado. O mais engraçado é isso: que o livro é meu, se eu quiser mudar tudo enquanto escrevo, posso. Mas tem todo um planejamento, saca? E posso ferrar toda a história mais pra frente se agora eu esquecer de algum detalhe que eu já tinha pensado.
Reescrever não é opção. Não depois de 7 anos.
[*escrevi esse post no ônibus, há um tempinho. Então agora, como o Word em mãos, vejamos:
Greta
Menina egípcia que não conhece o pai (Bakarah), mas ouve histórias dele pela sua mãe.
Maldição imunda... vou ter que reescrever o trecho inteiro].
- Na minha agência eu mal consigo usar o banheiro.
- Rá, eu uso um penico embaixo da minha cadeira, de tão tensa que anda a coisa por lá.
- Nossa, comigo tá pior!! Trabalhei o último final de semana.
- Eu trabalhei sábado E domingo.
- E eu que trabalhei sábado E domingo de dia e de noite.
- Eu trabalhei sábado E domingo de dia e de noite nos últimos 15 meses.
- Eu mais ainda, trabalhei sábado, domingo, de dia e de noite nos últimos 15 meses sem parar pra ir ao banheiro uma vez.
- Nossa, mas você tá preocupado com banheiros ultimamente né? A gente não tem esse problema, a Pampers é nossa cliente.
- Quando tem concorrência a agência inteira se tranca, ninguém entra e ninguém sai pra não vazar informação.
- Na minha, a criação fica sem água e sem comida até surgir com o conceito certo.
- Na agência que eu trabalho, a criação fica sem água, sem comida e pendurada de cabeça pra baixo pras idéias fluirem mais rápido. Se não tivermos idéias temos que lamber o chão da agência por completo.
- Ontem eu trabalhei até às 5 da manhã, fiquei sem água, sem comida, pendurado de cabeça pra baixo, e fui obrigado a me alimentar dos restos de briefings errados que o Atendimento fez. Enquanto lambia o chão da agência.
- Você sabe, né, eu sou Atendimento e não tem área que trabalha mais que a minha, briefings não saem da noite pro dia, me obrigam a fazer um bem feito, mesmo quando estou vendada, carregando tijolos para construir as pirâmides no turno das 2 horas.
- Isso é moleza, pra mim é pior. Eu não durmo faz cerca de 2 anos.
- E eu então! Morri ano passado e mesmo assim meu chefe me ligou. Fui obrigado a recorrer à magia negra pra me auto-ressuscitar e voltar a trabalhar. O RH disse que assim é melhor já que não preciso receber o plano de saúde.
- E o RH da MINHA agência que é um velho nazista que carrega instrumentos de tortura na mochila da Adidas e quando nosso time sheet diário tem menos que 25 horas nós somos atirados dentro das privadas dos serventes.
- Cara, e eu então, que…
Trabalhar todo mundo trabalha. Loucamente? Na maioria das vezes sim. Aos finais de semana? Sim também. Acontece que a coisa virou tão um concurso de beleza, tão um quemdámais, que eu me sinto a pior profissional do mundo quando admito “ok, hoje até que o ritmo esteve tranquilo por aqui, até saí pra tomar um cafézinho”.
Essa do mundo publicitário glamourizar as horas extras como se elas fossem um sofrimento genuíno (não precisam ser) e como se fosse uma competição pra ver que quem é mais escravizado é o mais bambambam do mercado… me dá um certo mal estar. Lembro sempre desse vídeo sinceríssimo do Monty Python.
Abril 15, 2008, 8:21 pm
Arquivado como: megalomanias
essa imagem serve pra dizer que
como eu estou “sem absolutamente nada pra fazer na minha vida, com os dias inteiros livres e saudáveis”, me meti em mais 3 projetos, e vim falar deles aqui hoje, talvez por marketing pessoal, talvez porque isso pode ser uma excelente desculpa para a desatualização do presente blogue.
1. voltei a atuar em hospitais como palhaça.
2. continuo com o blog Os Batatas, junto com a MaWá, que atualizamos quando o trabalho na agência assim o permite.
3. comecei o blog Valendo!, junto com o Teco. Esse novo projeto ainda é recém nascido, mas já me traz muita felicidade. Trata-se de uma brincadeira: o Teco (que desenha muito!) faz uma ilustração. Antes de ele enviá-la pra mim, e sem falar do que se trata a obra de arte que ele está fazendo, eu escrevo uma frase pra servir de legenda pra imagem. Daí a brincadeira resulta em uma legenda sem sentido, engraçada ou intrigante. E o mais mágico: geralmente o texto e a imagem combinam! =D
clique para ampliar. Tenho péssimas lembranças dessa tirinha - fui assaltada enquanto estava desenhando ela. Isso me faz lembrar que isso aconteceu em 2006, e que essa foi uma das últimas que fiz :O. I must bring Rebeca back.
O tenso é que “daqui a pouco” eu me formo e acho que elas já estão datadas!
Daí eu não aguentava mais o Blogger.com.br, que provavelmente está falindo e minguando, quase indo parar no tenebroso cemitério da Blogosfera. Depois que conheci o WordPress graças a esse blogo aqui, fiquei mal acostumada.
Daí mudei o Pargarávio de lugar, e joguei ele no WordPress. Pra fazer o serviço direito - já que tenho ascendente em Gêmeos mas gosto de terminar o que comecei - resolvi comprar um domínio e passei o meu blog primeiro, o original, o primogênito, para o endereço forte e simples: www.pargaravio.com
O triste é que não deu pra migrar os textos do antigo www.pargaravio.blogger.com.br , então voltamos à estaca zero. mas essa é a vida, não é mesmo minha gente?
Por favor, prestigiem meu domínio, com flores, festas e sacrifícios de animais.
Qual a função do publicitário criativo na construção, manutenção ou redefinição de marcas?
Quarto ano da faculdade, e uma dissertação sobre esse assunto é a nota de Redação Publicitária do Bimestre.
Dissertação? Eu não sei fazer dissertação. Esqueci no vestibular, por favor não me amarre. Minha dissertação vai ser narrada por pequenos esquilos anarquistas. Terá diálogos. E muita primeira pessoa do singular. E tenho dito.
pra usar no almoço: as mesas compartilháveis de praças de alimentação de São Paulo-na-hora-do-almoço-dos-trabalhadores me proporciona momentos de puro pânico. É uma lógica muito bizarra você sentar ao lado de [ou às vezes de frente com] um total desconhecido e almoçar na mesma mesa que ele, sem conversar com o sujeito, e sim olhando para o horizonte ou trocando idéias com seu colega de trabalho. Ah não. Fui criada almoçando na mesma mesa que minha família-margarina, todos conversando e interagindo, é assim que funciona: tá na mesma mesa, tem que conversar. Desse pânico brotaram duas idéias:
1- incluir seus amigos de mesa na sua conversa com o pessoal da sua empresa.
você- A Renata do RH tá saindo com o cara do financeiro, sabia?
pessoa aleatória- Quem é Renata?
você- É uma loirinha lá da firma. Acho que vocês combinam.
2- não tem como você não ouvir todo o assunto dos companheiros ao seu lado. Portanto, não tem como os companheiros ao seu lado não ouvirem o SEU assunto. Imagine as possibilidades que isso não traz:
você, bem alto, para seu colega de trabalho- Lá na cadeia o almoço era melhor do que isso aqui. De que chão engordurado será que esse cozinheiro raspou o prato do dia? Quer dizer… não sei se é o gosto do veneno que eu tomei hoje de manhã que tá me confundindo. Pior que nem surtiu efeito. Não surte mais efeito, cara, não surte! Acho que desisto, vou tentar me alimentar de luz de novo, da última vez até funcionou. Só não funcionou muito bem pro meu irmão, que virou uma barata gigante, e morreu logo depois de me engravidar. Só espero que não nasça com as antenas do pai.
pra usar no café da tarde: Starbucks e seu lindo hábito de escrever nomes nos copos proporcionam momentos de estudo teatral incríveis. Um dia você pode ser a Rebeca, uma menina hiperativa e meio Juno. No dia seguinte, vive a Shirley, uma dançarina de cancan decadente. No outro, ainda, é a Lorena, uma menina que vive na Alameda Lorena, cria porquinhos da índia e tem tique nervoso na hora de piscar. A brincadeira é escolher o nome na hora de pedir o copo, e interpretar a personagem o tempo todo enquanto estiver no café. Com o tempo, a coisa pode evoluir, e você já vai até vestido de acordo com o personagem do dia. Com o tempo, a coisa pode evoluir, e você pode até ser internado.
Então você é criativo, não é? Quando você era criança, sua mãe era daquelas que te dava Leite Ninho numa mão, um livro na outra, e programas da Cultura como trilha sonora. Na escola, se você não era dos quietinhos cdfs, era dos incompreendidos à la Calvin, que iam pra diretoria semanalmente, mas cujas notas superaam a dos quietinhos. Incompreendido. Não, não. Criativo. E você carrega esse fardo, meio orgulhoso, meio irritado com seus tios te olhando com aqueles olhinhos brilhantes, esperando seu próximo ato criativo, ou com seu pai, esperando você trocar de roupa antes de sair de casa, porque pra ele aqueles sapatos não traduzem uma combinação criativa.
Então você me entende. Então provavelmente você entende o conceito de idéia natimorta. Então você pode declamar comigo a ode à idéia natimorta.
São 24 horas no dia. Se sua cabeça não pára, deve ter fertilidade suficiente pra conceber umas 24 idéias por dia. 25 num dia ruim, uma em um bom dia. 23 delas não prestam, e você as joga no lixo hospitalar das idéias (não sem antes colocá-las num recipiente adequado à prova de plágio). E a outra uma é aquelas. Seu inconsciente [aquele velho senhor muito do inconveniente que trabalha escondido noite e dia, e só surge nos momentos inapropriados, com sonhos estranhos que resolvem te mostrar seus sentimentos inapropriados por pessoas inapropriadas] moldou a pequena, acertou os detalhes e a jogou em algum setor do seu cérebro, aquele que você gosta de chamar de zona da inspiração. [e zona é um ótimo nome, já que a inspiração nem sempre é uma moça de família, e tô pra ver alguém que curta mais do que ela esse negócio de só resolver funcionar em troca de dinheiro ou de um ou dois copinhos.] Uma vez tendo a idéia lá no lugar certo, chega a sua vez, já que esse processo, como quase tudo na vida, nada mais é do que um trabalho em série, cuja parte pior é de sua responsabilidade.
E aí o que você tem que fazer é fazer. Mas fazer nem sempre é a coisa mais fácil a se fazer. Porque assim que a idéia cai no seu cérebro, você certamente está lá, mais ocupado, assistindo Gilmore Girls e tomando café (porque Gilmore Girls dá uma vontade louca de tomar café, é fato) e vai adiar o momento da idéia por mais um tempo. Mas ela não é tão insistente a ponto de ficar chutando e implorando pra nascer, não. Se você não der atenção à pequena, no instante em que for botá-la no papel (ou no computador, ou na sua vida), ela se recusará a sair para o mundo, e você se verá diante de uma ex-idéia.
E todos vão dizer puxa, mas era uma idéia tão boa, tão cheia de vida quando era viva. E a Pollyanna vai dizer mas pelo menos você assistiu bastante tv enquanto não colocava a idéia em prática, e assistir bastante tv traz um pouquinho de matéria prima pro Senhor Inconsciente trabalhar. Consolar até consola. Mas você sabe muito bem que a vida real traz ainda mais matérias primas, e queima menos neurônios. E que a tragédia de uma idéia natimorta é tanto maior quanto o tamanho e importância da idéia. E que o tio Ben sempre esteve certo.
[texto escrito há 1 ano atrás e ctrlczado aqui porque reli e, puxa vida, gostei]