voltei pra casa encucada. sexta-feira, 19h30 da noite, um dos meus diretores olhou torto pra minha estratégia e me perguntou: onde estão suas ideias mirabolantes?
vai ver estavam na praia, tomando água de coco, ou já tinham ido pro happy hour há muito (às vezes essas aí se valorizam mais do que eu e aproveitam a vida que é uma beleza).
e fui embora, não era nada grave com prazo apertado, fim de semana é pra descansar, sair, dormir, pensar na vida, nos amigos e esquecer tudo, até a internet, ignorar completamente toda e qualquer coisa que seja ligada à vida profissional.
E quem consegue?
Cérebro criativo se boicota. Você pode querer não pensar em alguma coisa. Ele, só de teimoso, fica trazendo ela à tona, e mostrando a situação, como um molde 3D, lá dentro. E você começa a ter ideias, a pensar. Aí você pode assobiar, ligar prum amigo, correr na praia e até falar bem alto pra não dar ouvido às ideias. Chega uma hora que você não aguenta mais e se entrega: pega o caderninho.
A verdade é a seguinte, meu querido: ideia adora fazer hora extra. Quem trabalha com criação não tem férias.

E ideia de final de semana devia deixar o job muito mais caro.
pois é, e depois de reclamar tanto do tempo, reclamei meu tempo a mim mesma. não que eu tenha reparado – a gente mesmo não repara nas nossas coisas – mas ando ouvindo algumas coisas que me deixam feliz. as coisas são perguntas: “como você tem tempo de fazer tudo isso?”, “seu dia tem quantas horas?” e por aí vai.
essas perguntas são culpa dos meus 4 blogs, tumblrs, twitter, 3 livros sendo escritos e projetos extras (lojinha, cursos, hospital, igreja, freelas, casa, cozinha, academia, música), trabalho e umas horinhas extras de vida social mais ou menos dia sim, dia não.
então, respondo aqui:
pra mim, estou como sempre estive: um pouco desesperada e muito incomodada por não ter tempo de fazer tudo o que quero. ou seja, é tudo culpa daquela sensacional ilusão de óptica de quem está vendo de fora.
mas se consigo fazer tudo sem ter um viratempo, não é por milagre. meu dia tem 24 horas, sim. e ainda tento dormir 8 horas por dia, pelamadrugada! o segredo é o seguinte, acho que descobri:
1. é muito importante ter uma certa rotina. e você tem que ser obcecado por ela. tem que criar um horário pra escrever, acordar na hora certa e até ter umas regras próprias pra sair (eu me obrigo a não sair alguns dias, e em outros dias me obrigo a sair, pra não endoidar!).
2. eu vejo muito pouca tv e já se foi o tempo em que perdia muito tempo navegando na internet em casa. msn, então, é quase telegrama.
3. mas a maior dica mesmo é essa: ir com calma. muito chorei nos meus diários antigos por passar dias, meses até, sem escrever uma página dos meus livros. não é que agora algum milagre aconteceu e escrevo 30 páginas num dia. não. escrevo às vezes um parágrafo, coisa mínima. mas sigo, um pouquinho por dia. sem pressa, mas sem preguiça. e sigo essa máxima: se eu não conseguir terminar projeto algum até morrer, não vou ficar sabendo.
Não tá funcionando, mas tá funcionando.

Arquivado em: megalomanias

Encontrei esse esquema no blog da minha ídala Keri Smith. Taí. É isso mesmo. A diferença é que não tiquei nem o primeiro, nem o segundo.
Tá bom, são algumas diferenças:
Passo 1. Escrever livros.
Passo 2. Ficar famosa mundialmente.
Passo 3. Mudar pessoas. (o que não deixa de ser o passo 5 dela)
Passo 4. Ganhar dinheiro só por ser Francine Guilen (viver de palestras sobre a minha vida).
Imagine que tracei isso numa lousa, bem no esquema daqueles filmes de criança. Tipo Os Batutinhas, mesmo.
Enfim, besteira. Quero o passo 1 que já está ótimo. O 3 todo mundo consegue sem precisar escrever livro nenhum.
Quero uma biblioteca e um piano.
PS: Estou lendo Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, do Jonathan Safran Foer. O jeito que ele escreve é muito, muito gostoso. Recomendo.
É uma campanha, podia ser um projeto sem marca.
É um Banco de Imaginação, com quadrados cujo tema é Imagine que.
Acho que estou meio desescritora hoje, então não vou descrever. Clique e veja com seus próprios olhos.
Trabalhar sempre vai desmotivar. Tem dias em que você quer escrever seu livro, não um e-mail marketing sobre o Viagra.
Isso pode não ter cura, mas tem paliativo: é fazer uns projetos bacanas no trabalho. A Salve está com uns jobs bem divertidos de fazer e de ver. O site foi atualizado ontem, se quiser ver entraí na seção Trabalhos.
É um post meio jabá meio desabafo positivo, pra dizer que às vezes me sinto na Ludovica, a agência do segundo ano de faculdade (há 3 anos…) em que a gente achava que era fácil transformar até projeto ruim de produto ruim em coisa bacana e útil pra galera.
Ê!

Arquivado em: inércia maldita
Achei essa música no Twitter de uma das minhas bandas favoritas:
Arquivado em: Por que fósforos?
Pois eu não nego que esse blog é de autoajuda. Tá ali, ó, lá em cimão. De autoajuda pra quem quer escrever e criar e tá meio perdido no caminho que leva até o interruptor que acende a lampadinha.
Vai daí que a Nathália me passou essa lista completamente de autoajuda, que, como sou muito bonitinha e brasileira, eu reproduzo em português pra vocês, e vale muito pra quem trabalha com ideias:
50 Maneiras de se tornar infeliz
- Se compare com os outros frequentemente.
- Se diminua.
- Não acredite nos seus sonhos. Acredite que sonhos só acontecem enquanto você está dormindo.
- Diga sim para tudo e todos.
- Trabalhe em um emprego que você odeia.
- Reclame de tudo.
- Reclame de tudo para os seus amigos.
- Desconfie de tudo.
- Enumere seus problemas.
- Acumule pensamentos negativos.
- Tente agradar todo mundo e deixe todos pisarem em você.
- Viva pensando no passado.
- Viva pensando no futuro.
- Foque no que ainda falta pra você.
- Foque no que você não quer.
- Necessite que outras pessoas vivam aprovando você.
- Pense em tudo que provavelmente pode dar errado na sua vida.
- Fique com ciúmes facilmente.
- Tenha inveja dos outros e nunca seja grato ao que você já tem.
- Imite outras pessoas pela sua falta de autoconfiança.
- Mantenha sua autoestima baixa e com isso faça com que gostem menos de você.
- Pense que o mundo gira em torno de você.
- Julgue os outros.
- Absorva todas as notícias ruins do jornal diariamente.
- Coma junk food.
- Transforme academia no seu pior pesadelo.
- Acredite que as coisas só podem ser da sua maneira.
- Não aceite a opinião dos outros.
- Durma pouco.
- Não tenha objetivos.
- Preocupe-se constantemente que o céu vai cair na sua cabeça.
- Faça muitos planos e nunca aja.
- Não planeje.
- Ache que todo mundo ao seu redor é babaca.
- Ache que viver não tem sentido algum.
- Seja o “Homem Se”. Se meu pai fosse o presidente, então eu serei bem sucedido. Se eu ___ então eu vou ____. (preencha as lacunas)
- Loteria é o único caminho para o sucesso.
- Tente controlar tudo o que você não pode controlar.
- Espere que as pessoas gostem de você.
- Espere que as pessoas sejam gratas a você.
- Nunca esqueça das críticas.
- Odeie as pessoas à sua volta que são bem sucedidas.
- Evite responsabilidades.
- Receba e nunca dê em troca.
- Faça as coisas que são fáceis.
- Trabalhe demais.
- Nunca perdoe.
- Nunca dê o seu melhor nas coisas que você faz.
- Seja perfeccionista.
- Escolha ser infeliz.
Vincent.
Então, ói só: posso ser muito ruim e chata, sim, mas num dia normal tento ser simpática com as pessoas. Coisas simples tipo dar bom dia, sorrir, puxar assunto. E, ei! Se fazer isso não te agradar por ser muito subjetivo e sem retorno garantido na pósvida, eu garanto que traz alguns retornos beeeeeeeeem objetivos. Senão vejamos:
Tem um restaurante em que vou, por exemplo. em que vivo ganhando salada e sobremesa de graça. Vai ver é porque converso com os garçons (porque acho o chef um gato).
Dia desses peguei um táxi e virei tão melhor amiga do taxista, que ele fez questão de andar mais uns quarteirões de graça só porque ia praquele lado mesmo.
Troquei sorriso por dinheiro e juro que foi sem querer.
Com isso, cheguei à conclusão de que um dia eu ainda serei o Don Corleone. HURRA.
Arquivado em: O livro, Revolução, bloquinhos salvadores, inércia maldita, o outro livro
Li o livro The Writer’s Block (ainda vou falar dele aqui), e foi ótimo.
Ótimo porque além de dar várias dicas para escritores incompetentes como eu (era até pouco tempo), ele me abriu os olhos para o seguinte: em todas as páginas do livro, está implícito que pra você ser um escritor, tem que escrever todos os dias, como uma rotina.
Ou seja, dentre as 786 dicas do livro, não existe a dica: Tente escrever todos os dias. Não. Pro autor, é óbvio que você escreve todos os dias, e se não escreve é porque teve um bloqueio. E precisa se livrar disso.
Deste livro em diante, estou indo dormir mais tarde, mas com a sensação de dever cumprido. Não fico mais 4 meses sem tocar no meu livro lamentando minha falta de tempocriatividadepaciênciaorganização.
Agora escrevo todo santo dia meia página do meu livro (ou melhor, dos 3 que estou escrevendo). Às vezes me irrita porque parece que estou escrevendo forçada e que a qualidade do texto cai um pouco, mas só a sensação dos livros estarem vivos e crescendo, e a sensação real de que eles vão ter um fim afinal, me deixam feliz.
É isso.

Sabe trocar papel higiênico no banheiro?
Sabe colocar o açúcar no açucareiro?
Tô cansada (no outro sentido da palavra, não fisicamente cansada) de fazer isso por onde vou. São umas coisinhas tão mínimas, mas pouca gente faz. Sei lá se é problema de criação, se nunca morou sozinho ou se comeu muito Fandangos quando era criança e ficou acostumadinho. Não, as coisas não têm vida própria e não se criam sozinhas. Não custa fazer, você perde umas calorias e ainda melhora as coisas pra você mesmo.
E isso vale pra vida. Porque acredito que quem não levanta o dedo nem pra tirar a pasta de dente que caiu na pia não vai se preocupar com salvar, salvar o planeta, ou salvar-se se puder.
Depois que me formei, percebi que muita coisa do que a gente faz (ou não faz) nos trabalhos da faculdade, a gente leva pra vida. Sério, pode perceber. Tenta marcar uma balada com seu grupo de trabalho da faculdade. O proativo vai marcar, o esforçado vai se esforçar e o reclamão vai reclamar. Afinal, somos a mesma pessoa, produzindo um vídeo ou lavando o banheiro.
Isso é pensável. Não consigo entender falta de proatividade. Preguiça de viver? É tão gostoso ser atento, sair e fazer.
Vale pra vida.
